Se, o amor ao próximo, é o principio da caridade, amar seus inimigos é sua aplicação sublime, porque, esta virtude, é uma das maiores vitórias alcançadas sobre o egoismo e o orgulho.
Entretanto, equivoca-se, geralmente, sobre o sentido da palavra amar nessa circunstancia: Jesus, não entendia, por essas palavras, que se dever ter, por seu inimigo, a ternura que se tem para com um irmão ou amigo; a ternura, supõe a confiança; ora, não se pode ter confiançca naquele que sabemos nos querer mal; não se pode ter, com ele, as expansões de amizade, porque se sabe que é capaz de abusar disso; entre pessoas que desconfiam, umas das outras, não poderá haver os impulsos de simpatia, que existem entre aquelas que estão em cumanhão de pensamentos; não se pode, enfim, ter o mesmo prazer, ao se encontrar com um inimigo do que com um amigo.
Amar os inimigos, não pode, pois significar que não se deve fazer nenhuma diferença entre eles e os amigos, esse preceito não parece dificil, impossivel mesmo de praticar, senão porque se crê, falsamente, que prescreve lhes dar o mesmo lugar no coração.
Amar seus inimigos...é não ter, contra eles, nem ódio, nem rancor, nem desejo de vingançca, é perdoar-lhes, sem segunda intenção e incondicionalmente, o mal que nos fazem, é não opor nenhum obstaculo 'a reconciliação , é desejar-lhes o bem, em lugar de desejar-lhes o mal, é regozijar-se, em lugar de se afligir pelo quem que os alcança, é lhes estender mão segura, em caso de necessidade, é abster-se, em palavras e em ações, de tudo o que possa prejudica-los, enfim, é restituir, em tudo, o bem pelo mal, sem intenção de os humilhar.
(Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XII)
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